A geração da energia necessária à manutenção dos níveis mínimos de crescimento é um dos maiores desafios das nações mais pobres do mundo.
A Agência Internacional de Energia, órgão com sede em Paris (França), diz que um terço da população mundial ainda não tem acesso direto à eletricidade.
No Brasil, cerca de 10% da população - ou 17 milhões de pessoas - enfrentam esse problema. A grande maioria dessas pessoas - 80% - vive na região Nordeste.
Diante dessa dificuldade, o Brasil tem recorrido a fontes de energia renovável como uma opção para suprir as necessidades das comunidades mais pobres do país.
Desafio
Alcançar o desenvolvimento econômico e social aliado à preservação ambiental – o chamado desenvolvimento sustentável - é um dos grandes desafios deixados pela Rio 92 - encontro da ONU que discutiu o meio ambiente em 1992, no Rio de Janeiro.
Durante dez anos, líderes mundiais vêm buscando a fórmula para obter esse desenvolvimento sustentável, mas até agora, ela parece não ter sido encontrada.
No encontro no Rio de Janeiro, 108 chefes de Estado e representantes de outros 70 governos assumiram o compromisso de implementar uma série de medidas – conhecidas como Agenda 21 – para evitar a degradação da Terra e estimular o desenvolvimento sustentável.
Mas, de acordo com dados do WWF (Fundo Mundial para a Vida Selvagem) divulgados em julho de 2002, se a humanidade continuar a explorar os recursos naturais na velocidade atual, até 2050 seria preciso colonizar outros dois planetas Terra.
O uso de energia renovável no Brasil é uma tentativa de proporcionar uma melhor infra-estrutura para populações mais carentes sem provocar um dano adicional ao meio ambiente.
O governo brasileiro, por meio do Prodeem (Programa de Desenvolvimento Energético de Estados e Municípios, ligado ao Ministério das Minas e Energia) pretende levar energia para essas populações de baixa renda.
"O caro não é a energia em si, caro é ampliar a rede energética, principalmente na região Norte, onde a logística é impossível", diz Fernando Luz, coordenador-geral do Prodeem.
"Na região, as fontes renováveis e as chamadas alternativas são a primeira opção, porque é impossível criar uma rede convencional para atender todas essas comunidades. As distâncias são fantásticas, os caminhos não existem, e a relação custo benefício é proibitiva."
"Ingenuidade"
A Rio 92 gerou a expectativa de obtenção de ótimos resultados a curto prazo, o que acabou não acontecendo.
"Acho que fomos um pouco ingênuos em 92", diz o advogado Fabio Feldmann, assessor especial da Presidência para a Rio + 10.
"Na época acreditamos que, firmando os conceitos, a implementação seria imediata."
"A Eco (Rio-92) foi realizada pouco depois da queda do Muro de Berlim, havia um certo clima de otimismo. Mas, na verdade, para transformar o mundo, as resistências e barreiras são muito maiores do que nós imaginávamos na época", diz Feldmann.
Os países ricos são apontados por alguns como os grandes inimigos do meio ambiente. Só os Estados Unidos, o país mais poderoso do mundo, consomem cerca de 25% da energia produzida em todo o planeta. O país também é acusado de ser o maior poluidor da atmosfera.
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